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Queda de Maduro desmonta bases do Foro de São Paulo, avalia analista

Paulo Henrique Araújo considera que grupo passa pelo 'momento mais frágil da história'

Paulo Henrique Araújo comenta prisão de Maduro | Foto: Revista Oeste
Paulo Henrique Araújo comenta prisão de Maduro | Foto: Revista Oeste

A captura do ditador Nicolás Maduro provocou um forte abalo na estrutura do Foro de São Paulo, segundo avaliação do analista político Paulo Henrique Araújo, do canal PHVox. Em entrevista ao Jornal da Oeste 2ª Edição desta segunda-feira, 5, Araújo afirmou que a prisão do líder venezuelano atingiu um dos principais pilares do grupo, embora não represente, neste momento, o seu fim. Para ele, o Foro enfrenta “talvez o momento mais frágil da história”, em 35 anos de existência.

De acordo com o analista, o Foro de São Paulo não se sustenta apenas por meio de articulações políticas e diplomáticas. Segundo ele, há também uma base ligada a atividades criminosas, o que torna a estrutura mais complexa e resistente. “Ele se utiliza tanto da estrutura política, das estruturas diplomáticas, mas também das estruturas criminosas”, afirmou. Araújo citou a atuação de guerrilhas, grupos de narcotráfico e organizações terroristas, além de alianças com regimes que classificou como ambíguos.

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Araújo explicou que o Foro pode ser compreendido a partir de três eixos principais. O primeiro seria o “ideológico e de inteligência”, localizado em Cuba. Ele destaca que agentes cubanos teriam sido mortos durante a operação que resultou na captura de Maduro. O segundo eixo seria a própria Venezuela, que funcionaria como centro operacional. Nesse ponto, estariam concentradas decisões políticas e atividades ligadas a crimes como tráfico de armas, tráfico de drogas, garimpo ilegal e lavagem de dinheiro. O terceiro eixo seria o diplomático, associado a articulações internacionais e à atuação de grupos voltados à influência institucional.

Para o analista, a retirada de Maduro desse cenário interrompe fluxos importantes. “São vários os caminhos que aí você começa a cortar da onde o dinheiro irrigava e era lavado”, afirmou. Ainda assim, ressaltou que o Foro não está próximo de ser extinto, justamente pela diversidade de suas conexões.

Brasil pode ser impactado com a prisão de Maduro

Durante a entrevista, Araújo também demonstrou preocupação com possíveis desdobramentos regionais, especialmente em relação ao Brasil. Ele citou a porosidade das fronteiras brasileiras, em especial áreas de selva, como fator de risco para a migração de atividades criminosas. “O que me preocupa nesse momento é como o Brasil fica”, afirmou.

Regiões de tríplice fronteira já concentram há décadas tráfico internacional de armas, drogas e esquemas de lavagem de dinheiro. O analista mencionou investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo que identificaram a lavagem de mais de US$ 500 milhões em operações de organizações criminosas e grupos estrangeiros. Ele também destacou que portos brasileiros são utilizados como rotas de escoamento de drogas destinadas a outras regiões do mundo.

Araújo afirmou que operações internacionais são realizadas para combater esse fluxo, mas ressaltou que será necessário observar como as autoridades brasileiras irão atuar diante de um possível rearranjo dessas redes depois da captura de Maduro.

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Perguntado sobre quem poderia ocupar o espaço de liderança deixado por Maduro no Foro de São Paulo, o analista avaliou que não há uma substituição direta e imediata. Sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que ele tem relevância simbólica, mas não exerce a coordenação operacional do grupo. “Hoje ele é muito mais um poster boy [garoto-propaganda] do que um coordenador de ações”, disse.

Segundo Araújo, a estrutura executiva do Foro estaria mais vinculada a dirigentes partidários e a instâncias internas de articulação. Ele citou nomes ligados à direção do grupo e ressaltou que o papel do Brasil estaria concentrado na frente diplomática, descrita por ele como “a face bonita que coloca o terno e a gravata dentro dessa estrutura”.

O analista também mencionou outros líderes latino-americanos como potenciais figuras de destaque, mas avaliou que muitos enfrentam dificuldades políticas ou pessoais. Para ele, esse conjunto de fatores contribui para um cenário de enfraquecimento do Foro. “Do ponto de vista de publicidade e propaganda, o Foro de São Paulo está numa situação bem complexa hoje”, afirmou.

Leia também: “Lições da Venezuela”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 232 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Vamos aguardar o FRACASSADO Antônio da Silva aparecer por aqui com “argumentos sólidos” para dizer que o foro de São Paulo está mais “forte que nunca” – vamos todos juntos rir desse boondão vermelho.

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