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Pacote da Tesla pode tornar Elon Musk 1º trilionário do mundo

O conselho da montadora propôs um plano de ações para o CEO, a ser cumprido nos próximos 10 anos

Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, em Roma, Itália alexandre de moraes twitter/x
Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, em Roma, Itália (16/12/2023) | Foto: Reuters/Guglielmo Mangiapane

O conselho da montadora Tesla apresentou, nesta sexta-feira, 5, um novo pacote de remuneração para Elon Musk, que pode torná-lo o primeiro trilionário global, caso atinja metas consideradas ousadas. O plano prevê que o CEO, que já é um dos mais ricos do mundo, eleve o valor de mercado da Tesla em oito vezes ao longo de dez anos para acessar a totalidade do benefício.

Segundo documento protocolado na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, toda a compensação seria paga em ações da Tesla, condicionada à aprovação dos acionistas em assembleia agendada para 6 de novembro. Musk, cujo patrimônio ultrapassa US$ 400 bilhões, poderia adicionar cerca de US$ 900 bilhões se a Tesla saltar de US$ 1,1 trilhão para US$ 8,5 trilhões em valor de mercado.

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Para acessar qualquer parcela do benefício, Musk precisará permanecer na Tesla por pelo menos sete anos e meio, e por dez anos para receber o montante total. Ele também terá de cumprir metas operacionais, como implantar comercialmente 1 milhão de táxis autônomos e robôs humanoides, além de multiplicar o lucro da empresa em mais de 24 vezes.

O plano, caso aprovado, representará a maior compensação já concedida a um executivo. Musk receberia 35 milhões de ações se a Tesla atingir US$ 2 trilhões em valor de mercado, ganhando cotas adicionais até a meta de US$ 8,5 trilhões. Para obter o benefício integral, o lucro operacional da empresa precisaria chegar a US$ 400 bilhões, ante os US$ 17 bilhões registrados no ano anterior.

Embora as ações não possam ser vendidas imediatamente, Musk terá poder de voto direto nas assembleias, com possibilidade de elevar a participação acionária de 13% para cerca de 25%, descontados impostos. As metas exigidas, consideradas ambiciosas, incluem tornar a Tesla duas vezes mais valiosa que a Nvídia, atualmente a maior companhia de capital aberto do planeta.

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Elon Musk deixou governo de Donald Trump | Foto: Clauber Cléber Caetano/PR

O conselho, por meio de Robyn Denholm e Kathleen Wilson-Thompson, declarou, em carta aos acionistas que “reter e incentivar Elon é fundamental para que a Tesla alcance esses objetivos e se torne a empresa mais valiosa da história”. Entretanto, parte dos acionistas deve questionar a proposta, segundo o jornal The New York Times, com argumentos sobre o desempenho irregular de Musk e comportamentos considerados prejudiciais à Tesla.

O conselho destacou, em carta, que a “visão singular de Elon é vital para navegar neste ponto de inflexão crítico”. Também mencionaram planos para uma eventual sucessão na liderança, indicando que Musk colaborará com o conselho na estruturação desse processo a longo prazo.

Elon Musk e o irmão Kimbal Musk, também membro do conselho, não participaram da decisão sobre o pacote, segundo Denholm e Wilson-Thompson.

Musk aposta em IA e minimiza vendas de carros

A proposta se assemelha ao pacote de 2018, que previa milhões de ações para Musk mediante metas consideradas, à época, improváveis. Ele atingiu os objetivos, mas o benefício foi anulado por decisão judicial em Delaware por alegações de falta de transparência.

Caso o recurso da Tesla fracasse, o novo documento prevê o restabelecimento da remuneração original, avaliada em US$ 96 bilhões na cotação desta quinta-feira, 4.

Com a recente transferência da sede da Tesla de Delaware para o Texas, contestar judicialmente o plano tornou-se mais difícil para acionistas minoritários devido à legislação local. A Tesla, pioneira nos elétricos, foi ultrapassada por rivais chinesas, como BYD e Geely, em vendas globais, e pode perder posição para a Volkswagen, segundo dados da SNE Research.

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A Tesla usa o Modelo Y como Robotaxi | Foto: Reprodução/Redes sociais

Analistas atribuem parte do declínio à aposta de Musk na picape Cybertruck, que teve vendas abaixo do esperado, em detrimento de modelos mais populares. Enquanto concorrentes lançam novos veículos, os carros Model 3 e Model Y da Tesla têm perdido apelo no mercado.

Musk tem minimizado a importância das vendas de carros e aposta no futuro baseado em inteligência artificial, veículos autônomos e robôs. Na última segunda-feira, 1º, a Tesla lançou o chamado Master Plan IV, que prevê uma era de “abundância sustentável”, com energia solar, carros autônomos e robôs no desempenho de funções cotidianas.

Nos últimos 12 meses, a Tesla registrou queda em vendas e lucros. Um dos motivos é o envolvimento de Musk mantém com outras empresas, como a SpaceX e a xAI, sem restrições de tempo dedicadas a esses projetos segundo o novo plano.

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