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Médicos Sem Fronteiras admite presença de 'homens armados' em hospital de Gaza

A organização afirma que a movimentação dos terroristas aumentou depois do cessar-fogo

Israel invade hospital na Faixa de Gaza
O Hospital Nasser, onde Israel capturou terroristas durante a guerra, opera em colaboração com o MSF | Foto: Reprodução/Redes sociais

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) suspendeu as atividades no Hospital Nasser diante da presença de terroristas dentro da unidade e preocupações com a movimentação de armas no local. Nos últimos meses, pacientes e funcionários teriam “visto homens armados, alguns mascarados”, em áreas do complexo hospitalar, relatou a ONG em seu site oficial.

É a primeira vez que um grupo humanitário internacional em Gaza assume publicamente a presença de terroristas em um hospital ou o uso da instalação para transporte de armas. A MSF, com sede em Genebra, informou que as operações “não críticas” no Hospital Nasser, em Khan Younis, no sul de Gaza, foram suspensas em 20 de janeiro.

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“A MSF tomou a difícil decisão de suspender todas as operações médicas não essenciais no Hospital Nasser, a maior unidade de saúde em funcionamento em Gaza, a partir de 20 de janeiro de 2026, devido a preocupações com a gestão da estrutura, a preservação da sua neutralidade e as violações de segurança”, diz o site oficial da organização. 

Médicos Sem Fronteiras admite presença de 'homens armados' em hospital de Gaza
Hamas admitiu colaboração com terroristas do Hamas | Foto: Reprodução/MSF

A MSF divulgou a suspensão no Hospital Nasser na seção de “perguntas frequentes” em seu site sobre o trabalho da organização em Gaza, atualizada pela última vez em na última quarta-feira, 11.

Desde o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas, em outubro, “as equipes da MSF relataram um padrão de atos inaceitáveis, incluindo a presença de homens armados, intimidação, prisões arbitrárias de pacientes e uma situação recente de suspeita de movimentação de armas”, informou a organização.

Segundo a entidade, os “homens armados” foram vistos em áreas do complexo onde a MSF não realiza atividades. A presença deles, juntamente com a suspeita de transferências de armas, representava sérios riscos à segurança de pacientes e funcionários.

Um representante da MSF afirmou à agência Reuters que a organização continua apoiando alguns serviços críticos no Hospital Nasser. As atividades incluem atendimento hospitalar e cirúrgico para certos pacientes que necessitam de tratamento.

O grupo disse ter comunicado suas preocupações às autoridades competentes, sem detalhar a quais órgãos os relatos foram encaminhados. Na mesma página do site, a organização admite que manteve contato com o Hamas durante a guerra com Israel.

A MSF “trabalha em parceria com o Ministério da Saúde em Gaza, que integra a administração civil do Hamas”, diz a declaração oficial. O grupo afirma que o governo israelense promove uma “campanha de difamação” ao associá-lo ao Hamas. “Na verdade, coordenar-se com autoridades médicas é prática padrão em qualquer lugar onde atuamos.”

Hamas
O grupo terrorista Hamas em meio ao conflito na Faixa de Gaza | Foto: Reprodução/Youtube/Kompas

O Ministério do Interior de Gaza, administrado pelo Hamas, declarou à Reuters “estar comprometido” em impedir presença armada dentro de hospitais e afirmou que “medidas legais seriam tomadas contra os responsáveis”. O grupo terrorista sugeriu que membros armados de certas famílias de Gaza teriam entrado recentemente em hospitais.

Alguns reféns israelenses, capturados durante o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, afirmaram ter sido mantidos no Hospital Nasser, o maior do sul de Gaza. A organização nega ter atendido pacientes identificados como reféns.

Policiais israelenses saúdam veículos que transportam corpos de quatro reféns mortos, que estavam mantidos em Gaza desde o ataque mortal de 7 de outubro de 2023, chegando ao instituto forense após serem libertados em meio a um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em Tel Aviv, Israel (13/10/2025) | Foto: Reuters/Itai Ron
Policiais israelenses saúdam veículos que transportam corpos de quatro reféns mortos, que estavam mantidos em Gaza desde o ataque mortal de 7 de outubro de 2023, chegando ao instituto forense após serem libertados em meio a um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em Tel Aviv, Israel (13/10/2025) | Foto: Reuters/Itai Ron

Israel encontrou partes de rede de túneis sob hospitais

Em janeiro, Israel ordenou que a MSF e outras 30 organizações internacionais interrompessem o trabalho em Gaza e na Cisjordânia ocupada caso não cumprissem novas regras. A MSF disse que não apresentaria uma lista de funcionários, por não receber garantias sobre a segurança da equipe.

O Exército israelense afirma ter atacado hospitais durante a guerra porque combatentes do Hamas estariam operando em seu interior, e que partes da rede de túneis do grupo foram encontradas sob instalações médicas. O grupo terrorista palestino nega usar hospitais para fins militares.

Hospitais são locais protegidos pelo direito internacional. Tanto atacar hospitais quanto utilizá-los para fins militares costuma ser considerado violação da lei. Entretanto, instalações médicas podem perder seu status protegido sob determinadas condições.

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