Em um vídeo divulgado neste domingo, 4, no dia seguinte à captura do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar comandada pelos Estados Unidos, o líder oposicionista Edmundo González se apresentou como presidente da Venezuela e convocou as Forças Armadas a cumprir o que chamou de “mandato soberano” expresso nas últimas eleições.
No começo da gravação, González se dirige aos venezuelanos e afirma que os fatos recentes marcaram “um ponto de inflexão na história recente da Venezuela”. Segundo ele, o momento representa “um passo importante, mas não suficiente”.
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O oposicionista condiciona a pacificação do país à libertação de presos por motivos políticos e ao respeito ao resultado eleitoral. “A normalização real do país só será possível quando se liberte a todos os venezuelanos privados de liberdade por razões políticas, verdadeiros reféns de um sistema de perseguição, e se respeite sem ambiguidades a vontade majoritária expressa pelo povo venezuelano”, declarou.
González afirma ainda que apenas nessas condições poderá começar “um verdadeiro processo de transição democrática”. Ao mencionar a situação do governo anterior, disse que “quem usurpou o poder já não se encontra no país e enfrenta a justiça”, ao avaliar que o fato configura “um novo cenário político”, embora não substitua as tarefas que, segundo ele, ainda precisam ser cumpridas.
Na segunda parte do discurso, González reafirma que a libertação imediata e incondicional de presos políticos, civis e militares é uma condição indispensável para qualquer transição. “Nenhuma transição democrática é possível enquanto haja um único venezuelano encarcerado de maneira injusta”, afirmou. Ele também disse que sua legitimidade decorre do voto popular e do apoio de “milhões de venezuelanos que anseiam por um país com paz, com instituições e com futuro”.
Ao se apresentar como presidente, González fez um chamado direto às Forças Armadas da Venezuela e aos corpos de segurança do Estado. “Como presidente dos venezuelanos, faço um chamado sereno e claro à Força Armada Nacional e aos corpos de segurança do Estado: seu dever é cumprir e fazer cumprir o mandato soberano expresso em 28 de julho de 2024”, disse. Na sequência, declarou-se comandante em chefe e afirmou que a lealdade militar deve ser “com a Constituição, com o povo e com a República”.
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González denuncia fraude nas últimas eleições
Ao mencionar a “vontade soberana expressa em 28 de julho”, González se refere à eleição presidencial venezuelana considerada fraudada pela oposição, por diversos países e por organizações independentes. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, controlado por um aliado de Maduro, declarou a reeleição do ditador com pouco mais de 51% dos votos, embora a oposição afirme que González venceu com ampla margem, com base nas atas de votação disponíveis.
Segundo as denúncias, testemunhas da oposição foram impedidas de acompanhar a apuração em diversas zonas eleitorais, e as atas desses locais não foram divulgadas, em descumprimento à lei venezuelana. Nas regiões em que houve fiscalização independente, os registros mostraram vitória de González. O atraso na divulgação do resultado oficial, atribuído pelo governo a um suposto ataque hacker, além de relatos de intimidação, prisões políticas e restrições à imprensa e a observadores internacionais, reforçou a conclusão de que houve fraude no processo eleitoral.

Maduro foi preso na capital da Venezuela
As declarações ocorrem no dia seguinte à captura de Maduro em Caracas, neste sábado, 3, durante uma operação militar de grande escala liderada pelos EUA. A ação resultou na transferência de Maduro para custódia norte-americana, onde aguarda julgamento em Nova York. Maduro foi detido juntamente com sua mulher, Cilia Flores, e levado para um porta-aviões dos EUA antes de seguir para uma base aérea em território norte-americano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a captura faz parte de uma estratégia de “pressão máxima” contra o governo venezuelano, sob a alegação de que Maduro representaria uma ameaça à segurança nacional. O ditador venezuelano responde a acusações federais, como conspiração de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas, posse de armamento pesado, lavagem de dinheiro e corrupção, com base em denúncias do Departamento de Justiça dos EUA.
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