Na primeira parte do artigo, trouxemos a apresentação da carta enviada para a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization), redigida por diversos membros da Coalizão CO₂ (CO₂ Coalition), incluindo pesquisadores e cientistas que questionam as “mudanças climáticas”. O documento trouxe cinco pontos importantes que precisam ser indagados sobre o tema, dos quais dois deles já foram explanados na parte anterior deste artigo. Nesta segunda parte, comentaremos os três pontos restantes, que também ajudam a desmontar a narrativa climática a qual tem prejudicado verdadeiramente a segurança alimentar global.
Na sequência, o ponto número três lembrou a desconsideração efetiva da dinâmica do que eles classificam de GEE, por exemplo, quando falamos dos ciclos naturais do carbono nas atividades agrícolas. Não importa a quantidade lançada, aliás, documentada nos Inventários Nacionais de GEE, mas sim a concentração no ar, que é o resultado de um equilíbrio entre fontes e sumidouros, a qual varia no tempo com certa estabilidade. Segundo os autores, “todos os ecossistemas em equilíbrio, do deserto à floresta tropical, emitem tanto CO₂ quanto capturam, em média, ao longo dos anos”. Eles consideraram que, do Ciclo Rápido do Carbono, apenas cerca de metade das emissões totais de CO₂ antrópico ainda estaria presente na atmosfera — valor esse ainda muito superestimado pelos autores.
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Mas o ponto chave do terceiro tópico foi recordar a suposição fundamentalmente equivocada utilizada pelo Acordo de Paris, que considera a existência de uma relação direta entre as emissões de CO₂ e o aumento da temperatura. Como mencionamos, não existem evidências científicas que provem essa afirmação, mas sim o contrário da premissa. Além disso, ressaltaram a inexistência de uma temperatura pré-industrial definida ou ideal, como sugere o IPCC, cuja visão de mundo sobre a Climatologia se inicia por volta de 1750, bem na Pequena Era Glacial (ou também conhecida como Pequena Era do Gelo). Ademais, embora não citada na carta, vale lembrar que o IPCC faz referência às temperaturas na saída do século 19, quando as temperaturas também estavam baixas pelo encerramento do grande ciclo solar de 90 anos.
O quarto ponto foi essencial em lembrar à FAO os benefícios, todos registrados cientificamente, do aumento do CO₂ na atmosfera — não importando a sua fonte, pois a imensa maioria é oriunda das atividades naturais. A mudança de 0,033 para 0,038 na concentração média de CO₂ nos últimos 70 anos aumentou a fertilização por carbono, beneficiando tanto a agricultura (menor uso de fertilizantes) como a vegetação natural global. Segundo os autores, referenciando-se em artigos científicos, houve aumento da Produção Primária Bruta Global, elevação do Índice de Área Foliar e melhoria na Eficiência do Uso da Água, atribuídos principalmente ao aumento do efeito da fertilização com CO₂.
O CO₂ como aliado
Eles relembraram que o melhoramento genético e o uso de fertilizantes nitrogenados, bem como melhores técnicas agrícolas, ajudaram esse desenvolvimento. Contudo, foi o CO₂ o grande contribuinte para que houvesse aumento da cobertura vegetal em áreas terrestres livres de gelo, bem como a redução das áreas de solo descoberto. Portanto, a Terra se tornou mais verde, particularmente em áreas mais áridas. Pesquisas mostraram que não apenas as florestas cresceram, mas a produção agrícola disparou, especialmente em países subdesenvolvidos, onde a prática da atividade é sua maior fonte de recursos.
Lembraram à FAO que “é surpreendente que esta boa notícia (que não surpreende ninguém familiarizado com a lei do mínimo de Liebig e com o fato de que o CO₂ é a única fonte de carbono para toda a vida, através da fotossíntese e das cadeias alimentares) seja geralmente ignorada. Quando analisado objetivamente, o aumento de CO₂ não ameaça de forma alguma a nutrição humana!”.
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Finalmente, o quinto ponto — um dos mais importantes e categóricos para as atividades agropecuárias — foi devidamente desmascarado, destacando a má gestão e as omissões cometidas pela FAO e pelo IPCC, que temos alertado há anos, como afirmar que o metano (CH₄) e o óxido nitroso (N₂O) presentes na atmosfera são majoritariamente de origem humana, pelas nossas atividades de sobrevivência.
Os erros do IPCC
As mentiras partem daí: de que as fontes humanas superam as emissões de fontes naturais. Pura fantasia, que continua a sustentar as diretrizes do IPCC para Inventários Nacionais de GEE, cujas emissões de CH₄ e N₂O de ecossistemas intocados e naturais são explicitamente omitidas, visto que, obviamente, não são antropogênicas. Os autores da carta afirmaram que as emissões de ecossistemas manejados devem ser corrigidas para emissões de ecossistemas nativos, na ausência de qualquer influência humana, de forma a se chegar à fração real humana — pois o IPCC não prevê essas correções.
A consequência é uma superestimação sistemática das emissões líquidas de metano geradas pela pecuária em ecossistemas de pastagem. Como exemplo, eles citaram que as emissões entéricas de metano de bisões, alces e veados no período pré-colonização foram estimadas em 86% das emissões atuais de ruminantes criados em fazendas nos Estados Unidos.
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Além disso, outras omissões das relações ecossistêmicas realizadas pela FAO e pelo IPCC também levam à superestimação da importância dos GEE agrícolas antropogênicos, descartando fontes naturais cujas escalas são esmagadoramente maiores — especialmente as fontes de bactérias metanotróficas, praticamente presentes em todos os ambientes. Eles disseram também que trabalhos recentes mostraram que sistemas de pastagens, em pouco tempo, tornam-se inclusive sumidouros de metano — o que é desprezado categoricamente pelos inventários nacionais. (O que já pode ser considerado um absurdo, onde uma burocracia internacional pede que nós contemos as moléculas de gases.)
As emissões são naturais
Eles relataram que tais inventários nacionais de GEE mostraram apenas estimativas de emissões de metano, com vários níveis de precisão (é a costumeira aleatoriedade do IPCC). Não é de surpreender que nem a distribuição geográfica do metano (medida e calculada ao longo do tempo por satélite, portanto com séries de menos de 20 anos), nem a evolução histórica média do metano apresentem qualquer influência perceptível da pecuária.
O fato é que esses supostos “dados” são bastante controversos e as concentrações de metano são medidas na ordem de partes por bilhão. A maior quantidade de emissões é de origem natural, provenientes de vulcões, falhas geológicas, torres oceânicas de gás, lama, lagos, pântanos, planícies de inundação, bactérias, decomposição, todos os processos de digestão e todas as plantas. Assim, vemos o quanto o IPCC é bastante seletivo.
Mas a carta ainda ressaltou mais um ponto onde a seletividade do IPCC vai mais além: de que os humanos e sua agropecuária seriam a principal fonte de N₂O (óxido nitroso, ou gás hilariante) do mundo todo! O IPCC prega que 66% das emissões globais são causadas pela agropecuária, sendo que todo o nitrogênio excretado pelo gado foi ingerido da pastagem. Os autores lembraram que “embora o consumo de pastagens possa acelerar um pouco a taxa de renovação do N, é insustentável afirmar que todo o N₂O liberado pelas fezes e urina seja atribuído ao gado e, portanto, declarado artificial. O nitrogênio contido na pastagem está sujeito ao ciclo do N, liberando N₂O, independentemente de passar pelo trato digestivo dos animais ou não”.
O Brasil virou alvo
A FAO e o IPCC, com seus “inventários nacionais”, ignoram a alta probabilidade de que a cobertura vegetal nativa tenha liberado mais N₂O por meio da queda de folhas maduras do que a pastagem não fertilizada à base de gramíneas no mesmo local. Para os países sul-americanos, como o Brasil, eles lembraram que, em 2013, no seu relatório “Enfrentando as Mudanças Climáticas por meio da Pecuária”, a FAO atribuiu 23% de emissão de N₂O da carne bovina sul-americana proveniente de esterco, enquanto o valor real pode até ser negativo quando corrigido para as emissões inteiramente naturais de N₂O da vegetação intocada antes de sua conversão em pastagens. Essa omissão demonstrou a superestimação grosseira das emissões deste gás pela agricultura ou pecuária.
Eles ainda lembraram que tais deficiências fizeram parte do famoso relatório da FAO, de 2006, “Livestock’s Long Shadow” (A Longa Sombra do Gado), o qual atribui que 18% das emissões de “gases de efeito estufa” produzidos pela humanidade vêm da pecuária global. Com essa atribuição fantasiosa, a FAO — cujo objetivo deveria ser a promoção da segurança alimentar global — fez justamente o contrário, quando causou “o maior dano à boa reputação da pecuária da história”, lembraram.
A carta também escancarou a estupidez das projeções dessas emissões e a sua fantasiosa contribuição em “temperatura do ar”. Projeta-se que todas as emissões de metano para o “aquecimento global” alcancem 0,025 °C até 2050 — ou seja, tão pequena que se torna irrelevante, sem contar o fato de que este valor sequer pode ser considerado uma grandeza física, o que torna a “ciência” do IPCC tortuosa e altamente questionável. Eles alertaram que a métrica desatualizada (de 2007) do GWP100, ainda mantida no último relatório (AR6 – Sixth Assessment Report, 2023), é duplamente tendenciosa contra o metano em relação à sua vida útil. O efeito adicional de “aquecimento” do óxido nitroso, também na faixa de partes por bilhão, é menor do que o do metano.
A face oculta do IPCC
Os autores ainda se lembraram das concentrações de todos esses gases (CO₂, CH₄, N₂O) durante o Holoceno, praticamente estáveis, com exceção de pequenas flutuações. Discutiram outras fontes a partir da industrialização e da fabricação de fertilizantes. Porém, o que os autores se esqueceram de citar foi justamente o que o IPCC esconde: que a maior fonte de N₂O provém das bactérias presentes no solo (ciclos biogeoquímicos do solo, principal incerteza elencada pelo IPCC) e dos oceanos (outra incerteza central). São “só” as duas maiores superfícies que dominam o Estrato Geográfico terrestre, mas eles têm certeza de que são as atividades agropecuárias que dominam! Isso simplesmente evitaria toda a situação de isentar uma classe e culpar outra, ato que não ataca a falsidade da hipótese na raiz, mas apenas se esquiva de enfrentá-la.
A carta encerra recomendando que a FAO realize “uma análise honesta de custo-benefício para avaliar o impacto do aumento observado nas concentrações de ‘gases de efeito estufa’ na atmosfera, mencionadas anteriormente”, ao invés de querer “promover a sustentabilidade” executando uma transformação inimaginável na pecuária para reduzir GEE. “Tentar restringir os animais a excretar menos metano é irracional, não tem nada a ver com sustentabilidade e, na melhor das hipóteses, serve para aumentar o custo dos alimentos de origem animal, podendo até reduzir a capacidade dos ruminantes em utilizar celulose, a substância mais abundante na biosfera”, ressaltaram.
Eles reafirmaram os efeitos totalmente benéficos do aumento na concentração de CO₂. Declararam que os estudos existentes sobre os custos sociais do carbono são virtualmente inúteis, pois lhe atribuíram uma sensibilidade climática exagerada, ignorando as indiscutíveis propriedades vantajosas de mais CO₂ transportado pelo ar para a natureza, a agricultura e a segurança alimentar global.
A farsa do aquecimento global
O alerta final englobou as reais consequências em se almejar a extinção da produção e o uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos por causa das concentrações de N₂O na atmosfera. Tal colapso “levaria previsivelmente à fome, pois seria impossível garantir a segurança alimentar da humanidade”. “Mesmo no caso improvável de que um ligeiro aumento de N₂O na atmosfera causasse algum ‘aquecimento global’ mensurável, a única decisão eticamente responsável seria favorecer o uso de fertilizantes nitrogenados, aceitando um aumento do nitrogênio em circulação na biosfera e uma emissão ligeiramente maior de N₂O!”.
Só para destacar: o atual diretor-geral da FAO é o chinês Qu Dongyu, reeleito para o seu segundo mandato até 31 de julho de 2027. Será que ele é adepto do controle da produção de alimentos no mundo inteiro — ou apenas no Ocidente?
Ótimo e atualizado artigo. Taxas maiores na concentração de CO2 no passado não coincidem exatamente com o aumento de temperatura, mas ocorrem posteriormente o que indica o CO2 como variável dependente do aumento da temperatura (liberação pelo descongelamento de permafrost, por exemplo) e não o contrário como proposto.