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A corrupção está aumentando em toda a América Latina, afirma The Economist

Revista britânica cita recentes decisões do ministro Dias Toffoli para suspender multas da Lava Jato

Ministro Dias Toffoli, do STF, atendeu pediu da Ajufe e cassou decisão do TCU que barrava privilégio | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Ministro Dias Toffoli, do STF, anulou provas da Lava Jato e suspendeu multas que a J&F e Odebrecht aceitaram livremente pagar | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Relembrando as recentes decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revista britânica The Economist publicou uma reportagem sobre o aumento da corrupção no Brasil e na América Latina.

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A publicação lembra que Toffoli, ex-advogado do PT nomeado ao STF por Lula em 2009, suspendeu as multas bilionárias da J&F, empresa dos irmãos Batista, e da Odebrecht (hoje Novonor). Ambas admitiram dezenas de acordos de corrupção para serem beneficiadas em contratos com os governos petista de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff.

As empresas, que aceitaram livremente pagar multas de R$ 10,3 bilhões e R$ 3,8 bilhões, respectivamente, alegaram terem sido coagidas para assinar os acordos. E Toffoli decidiu que havia dúvida razoável quanto à possibilidade de os acordos terem sido assinados voluntariamente em razão de suposto “conluio” entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, “que fez parte de uma onda de atividades de combate à corrupção que varreu a América Latina na década de 2010”, lembra The Economist.

Agora, porém, ressalta a revista, “as decisões de Toffoli correspondem a um novo agravamento da percepção da corrupção em toda a região”. O Brasil caiu dez posições no índice anual de percepção da corrupção divulgado pela ONG Transparência Internacional em janeiro. Depois disso, Toffoli mandou reabrir uma investigação contra a ONG já arquivada sem qualquer evidência de fato novo.

A publicação lembra que o Peru caiu 20 posições no ranking divulgado pela publicação britânica, situando-se entre os países considerados os mais corruptos do mundo. A maioria dos países latino-americanos teve resultado inferior ao sugerido por seu nível de desenvolvimento. The Economist cita investigações recentes de corrupção em Honduras, Peru e México, todos países governados por políticos de esquerda.

+ Maioria dos brasileiros acredita que STF ‘incentiva a corrupção’

A revista explica como a Operação Lava Jato começou, em 2014, e as investigações na Petrobras, e lembra as propinas bilionárias pagas pela Odebrecht. “A investigação foi desmembrada em uma dúzia de outras, com foco em construtoras. Entre 2001 e 2016, a Odebrecht pagou quase US$ 800 milhões em subornos em três continentes, obtendo mais de US$ 3 bilhões em lucros para si e seus comparsas.”

É o maior caso de corrupção estrangeira já processado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, cuja jurisdição foi envolvida porque alguns subornos foram canalizados por meio de contas bancárias nos EUA, e possivelmente a maior investigação do mundo desde a Operação Mãos Limpas, para desarticular a máfia italiana.  

Tornou-se possivelmente a maior investigação de corrupção desde a operação Mani Pulite (“Mãos Limpas”) da Itália, na década de 1990, e revolucionou a política em toda a América Latina. Quase um terço dos senadores do Brasil e quase metade dos governadores do país foram envolvidos em algum ponto. A presidente de esquerda da época, Dilma Rousseff, sofreu impeachment em 2016. Seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi presidente entre 2003 e 2010, foi condenado à prisão duas vezes (ele foi libertado após 580 dias). Ambos os casos estavam ligados à Lava Jato ou sob impacto dela.

No Peru, cinco ex-presidentes foram investigados; um cometeu suicídio quando a polícia veio prendê-lo. Ex-presidentes também foram investigados em El Salvador, Panamá, México, Paraguai, Equador e Colômbia. A maioria afirma que as investigações são motivadas politicamente.

The Economist cita Toffoli por ser “amigo do amigo do meu pai”

marcelo odebrecht - dias toffoli - aliado no futuro
O empresário Marcelo Odebrecht se referiu a Toffoli como ‘amigo do amigo do meu pai’ | Foto: Arquivo/Agência Brasil

A publicação também relata como foi o fim da Lava Jato, mencionando críticas a supostos excessos cometidos por juízes e procuradores e o vazamento das conversas entre Moro e procuradores da força-tarefa, além de ressaltar que tanto Moro quanto o principal procurador da operação, Deltan Dallagnol, se candidataram (e se elegeram) a cargos no Congresso. “Os críticos também acusaram a força-tarefa da Lava Jato de usar táticas agressivas para atrair a atenção da mídia”, afirma The Economist. “No Peru e no Brasil, os promotores foram criticados pelo uso extensivo da prisão preventiva.”

A revista britânica termina o texto lembrando Toffoli — que agora suspende as multas da Lava Jato — foi citado na operação. Marcelo Odebrecht, em e-mails internos da companhia, se referiu a Toffoli como “o amigo do amigo do meu pai”, em referência a Lula. “Depois que a história foi publicada, o Supremo Tribunal considerou o artigo fake news e ordenou que fosse apagado da internet”, lembra a publicação. “Apenas o clamor público forçou a reversão da decisão.”

“A ruína da Lava Jato repercutiu em toda a América Latina”, conclui The Economist. “O Antigo Regime tem reagido, e está vencendo. Mas é necessário cuidado. Em uma pesquisa nacional divulgada em 3 de março, uma pluralidade de brasileiros disse que a Lava Jato foi encerrada por causa de interesses políticos. Um total de 74% dos indagados acreditam que as recentes decisões do Supremo Tribunal ‘incentivam a corrupção’”, finaliza. 

Leia também: O legado da Operação Mãos Limpas, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 200 da Revista Oeste.

6 comentários
  1. Carlos Eduardo Gomes da Silva
    Carlos Eduardo Gomes da Silva

    O STF é um dos colaboradores para essa façanha Sul Americana, uma corte constituída para desrespeitar as leis e impor a vontade de seu mentor.
    Um país onde homens de bem não se pronunciam com veemência contra o autoritarismo desenfreado e desmedido está fadado os insucesso.
    A América Latina será um continente devastado pelo crime e a maioria de sua população será conduzida à ferro para a obediência plena.

  2. Sérgio Tostes de Escobar
    Sérgio Tostes de Escobar

    Não há a menor dúvida de que a corrupção voltou!
    O resgate de 93 bilhões em precatórios, antecipado, certamente deverá ser mais um escândalo dos governos do molusco e sua quadrilha. Têm que ser investigado e esclarecido esse rompante de bondade em um momento de cofres raspados.
    Aliás, estava prevista a volta da corrupção. Triste, muito triste!

  3. Sandra Maria Ferreira Cavalieri D'Oro
    Sandra Maria Ferreira Cavalieri D'Oro

    Brasileiros do bem, nos sentimos roubados dos sonhos de um Brasil honesto. Só os corruptos estão vencendo. Vergonha e nojo!

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