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4 de outubro na História: morre Max Planck, pai da física quântica

Teoria revolucionou a ciência no século XX

Max Planck foi um dos mais importantes físicos da história | Foto: Hugo Erfurth/Wikimedia Commons
Max Planck foi um dos mais importantes físicos da história | Foto: Hugo Erfurth/Wikimedia Commons

Max Planck, nascido em 23 de abril de 1858 em Kiel, Alemanha, foi um dos mais importantes físicos da história, reconhecido por ser o fundador da teoria quântica, uma das maiores revoluções científicas do século 20.

Max Karl Ernst Ludwig Planck cresceu em uma família tradicional e erudita. Seu pai, Wilhelm Planck, era professor de direito na Universidade de Kiel. Desde cedo, Max demonstrou enorme aptidão para as ciências e, aos 16 anos, ingressou na Universidade de Munique.

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Interessado em matemática e música, Planck encontrou sua verdadeira paixão na física sob a orientação de Philipp von Jolly. Posteriormente, ele se transferiu para a Universidade de Berlim, onde foi influenciado por grandes nomes, como Hermann von Helmholtz e Gustav Kirchhoff.

A tese de doutorado de Planck, concluída em 1879, focou na Segunda Lei da Termodinâmica, um tema que moldaria grande parte de seu trabalho. A ideia de que a energia e a entropia estavam ligadas foi central para sua pesquisa, e ele desenvolveu conceitos sobre a natureza determinística das leis da física.

Max Planck e a revolução da física quântica

O trabalho mais significativo de Max Planck teve início em 1900, quando ele introduziu a ideia revolucionária de que a energia não era contínua, como se acreditava até então, mas era emitida em pequenos “pacotes”, ou quantum.

Sua descoberta foi o ponto de partida da mecânica quântica. Até aquele momento, o conceito de radiação de corpo negro — como os objetos emitem radiação térmica — parecia um desafio insuperável para a física clássica. Planck estava determinado a resolver estes problemas e, para isso, propôs uma fórmula para descrever a radiação de um corpo negro.

No entanto, ao derivar essa fórmula, ele precisou fazer uma suposição que, à época, parecia absurda: que a energia não era contínua, mas sim quantizada.

A ideia de quantização da energia, conhecida como Constante de Planck, inicialmente foi vista como uma técnica matemática para ajustar os dados, mas logo se mostrou ser uma lei fundamental da natureza.

Esse conceito revolucionário abriu caminho para a física quântica e lançou as bases para o trabalho de outros gigantes da física, como Albert Einstein, Niels Bohr e Werner Heisenberg.

De fato, em 1918, Max Planck foi laureado com o Prêmio Nobel de Física por sua descoberta da quantização da energia.

Dilemas morais sob a Alemanha nazista

Além de cientista, Max Planck foi uma figura pública importante, em especial durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Ele assumiu posições de liderança na ciência alemã e se tornou porta-voz dos cientistas de seu país. Contudo, sua vida foi marcada por dilemas morais, especialmente durante o regime nazista.

Planck viveu em uma época de grande transformação política e social na Alemanha e testemunhou a ascensão do regime de Adolf Hitler. Embora tenha buscado manter a ciência separada da política, o físico foi forçado a confrontar as realidades do nazismo.

Em muitas ocasiões, ele lutou para proteger seus colegas judeus e se opôs à política racista do governo, embora sua resistência tenha sido limitada pelas circunstâncias.

O caso mais notório de sua vida pessoal e política foi a execução de seu filho, Erwin Planck, que participou de uma conspiração para assassinar Hitler em 1944. A morte de Erwin foi um golpe devastador para Max Planck, que, já em idade avançada, teve de lidar com esta tragédia pessoal em um momento de grande incerteza para a Alemanha e para a ciência.

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Apesar de suas tentativas de resistir às pressões políticas, Planck foi criticado por não ter assumido uma postura mais radical contra o nazismo. No entanto, ele foi uma das poucas vozes na Alemanha que tentaram preservar a integridade da ciência em meio ao caos político e às atrocidades do regime. Planck acreditava que a ciência era uma busca apolítica e universal, mas seu idealismo foi testado ao limite durante o Terceiro Reich.

O legado de Max Planck

Max Planck morreu em 4 de outubro de 1947, aos 89 anos, em Göttingen, Alemanha. Nos últimos anos de sua vida, ele enfrentou os desafios de uma Alemanha devastada pela guerra e o declínio de sua própria saúde.

Mesmo assim, ele manteve seu compromisso com a ciência até o fim, lembrado como uma das mentes mais brilhantes da física moderna e um defensor da integridade científica.

Seu trabalho na mecânica quântica inaugurou uma nova era na física e redefiniu a compreensão de fenômenos microscópicos e macroscópicos. A constante de Planck é uma das mais fundamentais constantes da natureza, parte integrante da equação de Schrödinger e de outros princípios da física quântica.

Além de suas contribuições científicas, Planck foi um mentor e influenciador de uma geração de físicos, o que inclui Albert Einstein, que o admirava e respeitava. Einstein chegou a afirmar que a descoberta de Planck sobre a quantização da energia foi o verdadeiro ponto de partida para a revolução da física no século 20.

Leia mais: “A esquerda agora quer censurar a ciência”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 153 da Revista Oeste

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