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Economia

Fundo comprou rede de restaurantes e exigiu que vendedor adquirisse títulos do Master

Negócio de R$ 440 milhões faz parte das transações que levaram instituição financeira à liquidação

Fachada do restaurante cuja rede seria adquirida por meio de recursos aplicados em CDBs do Master | Foto: Divulgação/Camarada Camarão
Fachada do restaurante cuja rede seria adquirida por meio de recursos aplicados em CDBs do Master | Foto: Divulgação/Camarada Camarão

Um contrato assinado em fevereiro de 2025 vinculou a entrada de um fundo no capital do grupo Alife à aplicação de recursos em CDBs do Banco Master. O acordo envolveu cerca de R$ 440 milhões e teve como um dos participantes, na condição de interveniente, o banqueiro Daniel Vorcaro. A operação permitiu a aquisição de ações em um grupo de restaurantes que reúne marcas conhecidas do setor de food service.

Conforme os termos do negócio, um fundo administrado pela gestora Reag Investimentos comprou ações do Alife. Ao mesmo tempo, o contrato impôs principalmente que parte relevante dos valores se convertesse na compra de CDBs sob emissão do Banco Master. Tanto Vorcaro quanto a gestora estão sob investigação da Polícia Federal em apuração que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Fundos e Vorcaro: CDBs como condição do negócio

O contrato detalha que os recursos se dividiram para duas finalidades. Primeiro, houve o pagamento direto aos antigos acionistas pela venda das ações. Em paralelo, outra parcela destinou-se ao reforço do capital da companhia, com foco assim em expansão e aquisições estratégicas.

Nesse segundo bloco, os valores seriam para a aquisição de CDBs do Banco Master. O prazo de vencimento variava entre um e três anos. O uso futuro previa a compra de uma nova rede de restaurantes, a Camarada Camarão, como parte do plano de crescimento. A marca está presente em 22 municípios brasileiros, conforme o site oficial da empresa na internet.

Leia também: “O Master e os manés”, artigo de Roberto Motta publicado na Edição 307 da Revista Oeste

O grupo Alife não figura como alvo das investigações. Em nota, a empresa afirmou que respeita cláusulas de confidencialidade e que desse modo a transação observou a legislação vigente. Destacou ainda que a reserva de recursos para investimentos posteriores é prática comum em operações societárias.

O fundo Strelitzia FIP foi o veículo que a estrutura de negociação usou para adquirir as ações. Na época, os papéis pertenciam ao Fundo XP Equity, ao grupo A.Life Partners e ao Grupo Irajá. Vorcaro aparece no contrato como a figura que autoriza e reconhece os termos do acordo. O documento impôs uma trava bancária explícita. Cerca de R$ 210 milhões iriam para a compra das participações. O restante seguiria obrigatoriamente para o Master, via aquisição de CDBs da instituição.

O que disse a defesa de Vorcaro

A defesa de Vorcaro sustenta que o banco não administra o fundo nem interfere nas decisões de investimento. Já o Banco Central liquidou o Master e a Reag depois do avanço das apurações, citando graves irregularidades no cumprimento das normas do sistema financeiro.

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