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Curiosidades

Morre o cantor Lindomar Castilho, conhecido como 'Rei do Bolero'

Artista é um dos nomes mais conhecidos da música brega no Brasil

Lindomar Castilho, o 'Rei do Bolero' | Foto: RCA/Divulgação
Lindomar Castilho, o 'Rei do Bolero' | Foto: RCA/Divulgação

O cantor e compositor Lindomar Castilho, um dos nomes mais conhecidos da música romântica popular no Brasil, morreu aos 85 anos neste sábado, 20. A notícia foi confirmada por sua filha, Lili de Grammont. “Meu pai partiu”, escreveu, em publicação nas redes sociais. “E como qualquer ser humano, ele é finito.”

Nascido como Lindomar Cabral, em Santa Helena, então distrito de Rio Verde, em Goiás, Castilho começou sua carreira musical ao se transferir para Goiânia, onde cursou a Faculdade de Direito. O nome artístico foi sugerido pelo diretor artístico da gravadora Continental, Diogo Mulero, com foco no público latino-americano. Em 1963, gravou seu primeiro álbum, Canções que Não se Esquecem, com repertório inspirado em Vicente Celestino.

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Ao longo da década de 1960, lançou discos como Escuta Minha Oração e Mensagem de Carinho, que o consolidaram como intérprete de boleros e canções românticas. Nos anos 1970, já na gravadora RCA, alcançou grande sucesso comercial. O álbum Vou Rifar Meu Coração marcou sua projeção internacional, com versões em espanhol e circulação em dezenas de países.

Entre os maiores sucessos estão “Você é Doida Demais” e “Eu Canto o que o Povo Quer”. Segundo material de divulgação da época, “Vou Rifar meu Coração” recebeu mais de 50 gravações apenas no México e vendeu cerca de 80 mil cópias na semana de lançamento naquele país. O êxito internacional rendeu a Castilho um busto em Luanda, Angola, e o reconhecimento da revista Billboard, que o classificou como “o novo ídolo das Américas”.

Assassinato marca trajetória de Lindomar Castilho

A trajetória artística sofreu uma ruptura em 1981, quando Castilho assassinou a tiros sua ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont, durante um show no Café Belle Époque, em São Paulo. Eliane tinha 26 anos, era mãe de uma criança de um ano e oito meses e tentava retomar a carreira musical depois da separação. O cantor foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio doloso e tentativa de homicídio, e obteve liberdade depois de cumprir parte da pena.

O caso teve forte repercussão nacional e se tornou um marco no debate público sobre violência contra a mulher. Nos anos seguintes, foram criadas, em São Paulo, a primeira Delegacia de Defesa da Mulher e a Casa Eliane de Grammont, voltada ao atendimento de vítimas de violência doméstica e sexual.

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Depois de deixar a prisão, Castilho passou a gravar canções de temática religiosa e social e, no começo dos anos 2000, retomou a carreira artística. Ao longo da vida, lançou mais de 30 discos, cerca de 20 no exterior. Em 2001, “Você é Doida Demais” foi escolhida como tema de abertura do seriado Os Normais, da TV Globo.

Classificado como tenor de ampla extensão vocal, Castilho ficou associado à música romântica popular, ao lado de nomes como Altemar Dutra, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e Waldick Soriano. Suas canções, marcadas pela desilusão amorosa, pela traição e pelo abandono, consolidaram seu espaço na história da chamada música brega brasileira.

Leia também: “A nostalgia e suas zonas de conforto fazem muito bem em situações”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 104 da Revista Oeste

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