O poeta, cronista e ensaísta Affonso Romano de Sant’Anna morreu nesta terça-feira, 4, aos 88 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Desde 2017, ele enfrentava o Alzheimer.
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O velório será realizado nesta quarta-feira, 5, na Capela Histórica do Cemitério da Penitência, entre as 11h e 14h.
Ele deixa a filha Alessandra Colasanti – atriz, roteirista e diretora – e um neto. O Ministério da Cultura divulgou nota em que lamenta a morte do escritor e elogia sua atuação em favor da leitura.
Sant’Anna foi um dos escritores mais influentes da literatura brasileira contemporânea. Construiu uma obra rica e eclética, com textos que conduziam o leitor por reflexões sobre questões sociais, humanas e literárias.
Escreveu mais de 60 livros. O casamento com a escritora Marina Colasanti, em 1971, fortaleceu ainda mais sua relação com a literatura. Colasanti morreu em janeiro, aos 87 anos, por complicações da doença de Parkinson.
Ele nasceu em Belo Horizonte (MG), em 1937, ano em que Jorge Amado lançava Capitães de Areia e Monteiro Lobato era reverenciado com seus personagens. Ainda criança, se mudou para Juiz de Fora.
A efervescência literária do país o contagiou logo nos primeiros anos. Apreciava a pequena biblioteca que seu pai mantinha em casa, que o ajudou a conhecer os grandes autores. Na cidade, ele publicou seus primeiros textos na imprensa, com críticas de cinema e teatro, em 1953.
De volta à capital mineira, aos 18 anos, entrou no curso de letras da Universidade Federal de Minas Gerais, onde se formou, em 1962. Naquele ano, lançou seu primeiro livro, O Desemprego do Poeta, uma coletânea de ensaios.
Defendeu em 1969 sua tese de doutorado sobre Carlos Drummond de Andrade, que mais tarde foi publicada no livro Drummond, O Gauche no Tempo, de 1972.
Uma de suas paixões era a crônica. Além de Drummond, craque no estilo, a convivência e as longas conversas com cronistas como Fernando Sabino, Rubem Braga e Otto Lara Resende, o tornou íntimo desta escrita, que expõe beleza e grandiosidade nas situações mais simples.
Em 2014, em depoimento à Biblioteca Pública do Paraná, Sant’Anna lamentou a perda de espaço da crônica nos grandes veículos.
“Hoje os jornais têm centenas de colunistas”, afirmou o escritor. “Na verdade, são comentaristas políticos e culturais, poucos, muito poucos são cronistas de verdade. Isso é um assunto para as universidades estudarem, essa perda de identidade da crônica.”
Conjunto da obra de Sant’Anna
Depois de seu livro de estreia, escreveu Canto e Palavra (1965), que o ajudou a definir seu estilo e sua relevância dentro do contexto literário brasileiro.
Ao longo das décadas seguintes, sua produção se diversificou. Publicou livros como Que País é Este? (1980), sobre o cenário político brasileiro da época, e A Poesia Possível (1987), que aprofundava suas investigações sobre a linguagem e a identidade nacional.
Com o passar dos anos, seu trabalho se expandiu para questões mais amplas. Ele seguiu lançando obras como Textamentos (1999) e Como Andar no Labirinto (2012), o que consolidou seu nome como um intelectual de peso na cena cultural brasileira.
Além de sua produção literária, Affonso também teve atuação importante como jornalista e professor, com passagens pela presidência da Fundação Biblioteca Nacional entre 1990 e 1996. Lá criou iniciativas para o incentivo à leitura e à literatura no país.
Foi diretor do departamento de letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, de 1973 a 1976. Deu aulas nas universidades da Califórnia (UCLA), Alemanha (Koln) e França (Aix-en-Provence).
Atuou ainda como crítico, ensaísta e cronista. Os textos de Sant’Anna em veículos como o Jornal do Brasil, Estado de Minas, Correio Braziliense e O Globo, mesclavam harmonia e profundidade. Versavam sobre literatura, política e cultura brasileira. Ele também escreveu para Veja e IstoÉ.
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Sant’Anna venceu o Prêmio Jabuti de poesia em 2006, com o livro Vestígios. Também conquistou prêmios como o Mário de Andrade, o Premio União Brasileira de Escritores e o Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal. Pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), foi premiado pelo conjunto da obra.
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