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Ator brasileiro é premiado por atuação em filme francês sobre a Amazônia

Alexandre Padilha de Azevedo fez o papel do presidente do Brasil, em obra que trata do tema, com críticas a algumas posturas dos europeus

Alexandre Padilha de Azevedo - ator brasileiro - filme Nos Futures
Alexandre Padilha de Azevedo está na França há quase 20 anos | Foto: Reprodução/São Paulo Film Festival

O filme Nos Futures (Nosso Futuro), produção francesa, apresenta em forma de ficção uma realidade que coloca frente a frente os interesses europeus e a soberania do Brasil em relação à Amazônia.

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A obra, dirigida pelo francês Thibault Martin, procurou, nos seus 25 minutos de duração, tratar do tema sem hipocrisia e mergulhou na essência que move os dois países, conforme afirmou um dos protagonistas, o ator brasileiro Alexandre Padilha de Azevedo. Ele interpretou o presidente do Brasil, Gustavo Meneghel.

Por sua atuação, Padilha recebeu o prêmio de Melhor Ator no São Paulo Film Festival, realizado no dia 10 de dezembro. Radicado na França há quase 20 anos, Padilha acumulou experiências no teatro e no cinema, além de ser professor de interpretação em escola de Paris.

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A produção conta com a participação de artistas consagrados, como Marie Bunel, atriz que já atuou em dezenas de longas franceses, como Les Misérables (direção Claude Lelouch, 1994) e Girl Cut in Twoo (direção Claude Chabrol, 2007).

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“Este prêmio é um reconhecimento pelo meu trabalho”, afirma Padilha, que nasceu no Rio de Janeiro e passou a infância em contato com as pessoas no calçadão, os estilos de vida, a interação com a natureza na Praia do Leblon.

“Recebê-lo no Brasil no São Paulo Film Festival 2023 tem um sabor muito especial, pois foi no meu país natal e em uma cidade que gosto muito, São Paulo, onde vivi com muita alegria por alguns anos e onde minha mãe e avó materna nasceram”, lembra.

Para o ator, a conquista é um importante marco em sua carreira.

“A importância deste prêmio é enorme para mim, foi conquistado em meio a vários ótimos atores brasileiros e estrangeiros, sendo eu o único ator brasileiro em uma produção francesa neste festival”, ressaltou Padilha. “Espero que o prêmio possa me abrir portas para outros trabalhos, filmes na França como também no Brasil e em outros países.”

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A produção tem o roteiro de Martin e do também francês Marc Koenig, com trilha sonora de Alexandre Bazin.

Padilha contracena principalmente com a atriz francesa Cécile Garcia-Fogel, no papel da presidente da França, Hélene. O filme tem início com ambos conversando em uma sauna.

Lema pelo acordo

Alexandre Padilha de Azevedo - ator brasileiro - Nos Futures
Padilha conquistou o prêmio de melhor ator no São Paulo Film Festival | Foto: Reprodução/instagram

A ideia foi remeter a situação a um momento em que os dois líderes expõem os reais interesses que movem o mundo político. Em busca de um entendimento, com a verdade sendo expelida junto com o suor.

Na parede, como um lema para o diálogo, há uma placa com uma frase que ficou famosa no Acordo de Helsinki, de 1975: “Quando o ódio se evapora, pode-se refazer o mundo.”

Na conversa, o presidente brasileiro fala de forma objetiva sobre as contradições do discurso francês que exige do Brasil a preservação da Amazônia, lembra Padilha.

“No filme, o presidente do Brasil sabe exatamente como a líder francesa tentará convencê-lo em relação ao desmatamento da Amazônia.”

Padilha prossegue na descrição.

“Ele não se deixa abater. É consciente desse problema ambiental e sabe exatamente que esta temática e interesse pela ecologia e pela Amazônia por parte dos europeus, neste caso os franceses, têm um duplo sentido, pois as riquezas naturais dela são desejadas pela França e pela Europa.”

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O presidente brasileiro chega a desabafar com a colega sobre as cobranças em meio ao consumo de óleo de palma, soja e outros produtos provenientes da floresta.

“Agora que estão sentindo calor…[vocês vêm cobrar]”

Padilha considera que o diretor Martin teve um olhar de distanciamento de um francês em relação ao Brasil e isso funcionou.

“O filme é um eco da realidade”, diz o artista. “O fato de colocar uma mulher como presidente da França é muito interessante, pois o país, um dos mais importantes da Europa, não está preparado ainda para ter uma mulher como dirigente, pela sua história de uma certa maneira machista.”

No filme há ainda outros enredos, protagonizados pelos assessores de ambos, que espelham as opiniões dos líderes.

Na trama, há também a participação de um menino (Oscar Pauleau), que simboliza o futuro, e da diretora da escola (Marie Bunel). Ambos tentam vislumbrar soluções em meio a essas ideias contraditórias a respeito do meio ambiente.

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