O avanço de uma nova espécie de inseto capaz de atacar plantações de cana-de-açúcar levou pesquisadores a detalharem suas características, com potencial impacto na produção agrícola do país.
O Brasil, maior exportador de açúcar do mundo, movimentou cerca de US$ 8,7 bilhões com a exportação do setor em 2020 e produz aproximadamente 700 milhões de toneladas da planta anualmente, empregando-a também para etanol e energia.
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Historicamente, as lavouras de cana enfrentam pragas, como a cigarrinha-da-raiz, que incluem espécies como Mahanarva fimbriolata e Mahanarva spectabilis.
Esses insetos consomem a seiva, liberando toxinas que prejudicam folhas e reduzem a sacarose, podendo levar a perdas de até 36 toneladas por alqueire.
A identificação de uma nova espécie, realizada por equipes da Unesp e da PUCRS, foi publicada no periódico Bulletin of Entomological Research.
Descoberta e identificação da nova espécie
Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, docente da Unesp, relatou que há dez anos empresas agrícolas procuraram ajuda devido à ineficácia de defensivos químicos.
“Alguns produtores estavam enfrentando dificuldades para controlar a praga por meio de defensivos químicos, por isso pediram nossa ajuda”, afirmou.
Uma pesquisadora da Embrapa em Araras levantou a hipótese de se tratar de uma espécie distinta e enviou amostras a especialistas em taxonomia da PUC-RS.
O trabalho conjunto envolveu análises morfológicas e genéticas. Enquanto Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho estudaram as características físicas, Cabral-de-Mello analisou o DNA das amostras.
Um marcador genético presente nas mitocôndrias permitiu diferenciar a nova espécie das conhecidas.
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Em uma das espécies, esse marcador genético apresenta um padrão conhecido que é conservado, com pequenas variações.
“No caso de espécies diferentes, o marcador sofre variações maiores”, explicou Carvalho. “Isso nos permite dizer que o indivíduo pertence a uma ou outra espécie.”
Foram avaliados mais de 300 exemplares coletados entre 2012 e 2015 em diferentes usinas.
Os resultados apontaram diferenças genéticas e morfológicas, especialmente na genitália dos machos: a espécie recém-descoberta, nomeada Mahanarva diakantha, exibe uma estrutura bifurcada e pontiaguda, distinta do formato das outras espécies.
O termo “diakantha” faz referência à característica de “dois espinhos”.
Implicações para o controle de pragas em plantações de cana-de-açúcar
A identificação da nova cigarrinha abre caminho para métodos de controle mais eficazes. Cabral-de-Mello esclareceu que produtos químicos podem atuar de forma seletiva.
“Mesmo que as espécies sejam próximas, o produto pode ser eficaz contra uma, mas não contra outra”, relatou. “Aparentemente era isso que estava sendo observado nas usinas.”
Paladini ainda revisou coleções antigas e identificou registros errôneos de Mahanarva diakantha dos anos 1960.
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Agora, os cientistas buscam compreender aspectos biológicos e genéticos da nova praga, além de analisar amostras mais recentes, já que as estudadas são de 2012 a 2015.
Odair Aparecido Fernandes, docente da Unesp e líder do Cepenfito, avalia que a cigarrinha recém-identificada não representa, por ora, uma ameaça relevante.
“Embora não tenhamos identificado essa cigarrinha anteriormente, as ferramentas de controle biológico têm sido um sucesso”, afirmou. “Então, quero imaginar que vamos continuar tendo sucesso. Mas pode ser que alguns resultados que não eram satisfatórios sejam explicados pelo fato de que se trata de uma nova espécie. Isso precisa ser melhor elucidado.”
O método predominante de combate à praga utiliza o fungo Metarhizium anisopliae, que é cultivado em laboratório e aplicado nas lavouras, atuando de forma seletiva contra insetos.
“Esse é um dos mais expressivos exemplos, em termos mundiais, de aplicação de controle biológico que apresenta eficácia elevada”, explicou Fernandes. “Entretanto, pesquisas adicionais com Mahanarva diakantha são necessárias para ajustar as estratégias de controle.”
Avanços científicos e parcerias
Cabral-de-Mello integrará o Cepenfito, colaborando em pesquisas voltadas ao manejo de pragas.
Ele também orienta um estudo de doutorado sobre a montagem genômica das três espécies de cigarrinha, visando a compreender a evolução e separação dessas espécies nos últimos 100 mil anos.
“O sequenciamento do genoma da espécie abre a possibilidade de desenvolvimento de uma agricultura de precisão, pois permite enxergarmos as variações existentes e estudar como isso afeta o controle de insetos”, explicou o pesquisador. “Assim, é possível desenvolver técnicas personalizadas para combater as diferentes pragas.”
O pesquisador classificou como decisiva a cooperação entre universidades e setor privado para os avanços obtidos na pesquisa.
“Juntamos um pouco do que cada um sabia para podermos caminhar com precisão”, disse. O próprio Cepenfito exemplifica essa parceria, com financiamento da Fapesp e do Grupo São Martinho, conduzindo 55 projetos na área de fitossanidade em colaboração com empresas e o setor de açúcar e álcool.”
Desafios futuros para a cana-de-açúcar
Fernandes revelou que a cana-de-açúcar enfrenta atualmente duas ameaças principais.
A primeira é a síndrome do murchamento, provocada por um conjunto de fatores climáticos e biológicos, capaz de reduzir a produção em até 40%.
A segunda é o bicudo-da-cana, besouro que se prolifera com a mecanização da colheita e pode causar perdas de 25 toneladas por hectare.
Segundo Fernandes, a falta de informações dificulta o controle dessas ameaças, mas projetos em andamento buscam soluções para as regiões Centro-Sul e Sudeste.









































É UM VELHO CONHECIDO NESSE PAÍS … É CHAMADO DE LULAS CORRUPTOS… TEM ATÉ A COR DO PATIDO !